Uma ética de complementaridade: ética personalista, ética das virtudes e (bio)ética principialista

Carlos Costa Gomes, professor e investigador do Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa, proferiu uma conferência no Instituto Politécnico de Castelo Branco sobre a“Espiritualidade e personalismo no pensamento bioético de Daniel Serrão“. Durante a Conferência, defendeu a necessidade de uma ética fundamental de complementaridade, que englobe a uma ética personalista, uma ética das virtudes e uma (bio)ética principialista.

Citando o médico especialista em ética da vida, o orador lembrou que uma ética personalista, que coloca a sua tónica no bem melhor da pessoa doente; uma ética das virtudes que se expressa nas qualidades de excelência do cuidador; e uma (bio)ética principialista que se situa no processo relacional e de decisão, não conflituam entre si, mas, pelo contrário, se complementam. Na perspetiva de Daniel Serrão é necessário passar da ontologia biológica, sempre necessária, para a ontologia ética dialogal e relacional, sempre indispensável. 

Segundo, Carlos Costa Gomes, no dizer de Daniel Serrão, a complementaridade ética, três modos de reflexão ética não exclusivos, confere à dinâmica clínica uma relação do cuidado na arte de cuidar as pessoas doentes no seu corpo e no seu espírito. Porque a par da competência técnica, como tem que ser, estará sempre a preocupação pelos “princípios éticos que facilitam o diálogo com a pessoa doente, as virtudes como excelência de caráter cultivadas pelo clínico e o respeito integral da pessoa perante a fragilidade da vida que dão ao clínico o carisma (quase) «sagrado» que a pessoa, com a sua doença, nele procura e no qual deposita a sua confiança e esperança”.

Dezembro 2019