Projeto InPalln promove integração de cuidados paliativos no Serviço Regional de Saúde dos Açores

Mais de 200 profissionais de saúde estiveram reunidos para discutir a integração de cuidados paliativos em cuidados intensivos, no âmbito do projeto InPalIn: Integração de Cuidados Paliativos e Intensivos, do Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa no Porto e mediante uma parceria estabelecida com a Unidade de Cuidados Paliativos, Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada (HDES) e com a Equipa Comunitária de Suporte em Cuidados Paliativos da Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel (USISM).

Sob o mote da integração de cuidados paliativos e intensivos, o Seminário InPalIn Açores permitiu a partilha dos resultados do projeto de investigação InPalIn, financiado pela Fundação Grünenthal e pela Fundação Fundação Merck, Sharpe and Dohme, e a reflexão conjunta sobre como potenciar e avaliar esta integração no Serviço Regional de Saúde dos Açores.

A equipa de investigadores do projeto InPalIn, composta pelos investigadores Sandra Martins Pereira (investigadora principal), Carla Margarida Teixeira, Ana Sofia Carvalho e Pablo Hernández-Marrero, apresentou os principais resultados do mesmo. Segundo a equipa de investigadores, é vasto o espetro de questões éticas que se colocam na integração de cuidados paliativos e intensivos. Os investigadores sugerem que a integração de cuidados paliativos contribui para uma melhoria dos cuidados em fim de vida, inclusive em contexto de cuidados intensivos. Esta inclusão poderá mesmo diminuir o número de medidas agressivas desproporcionadas no fim de vida, promover a autonomia deste tipo de doentes, aliviar o sofrimento dos familiares destes doentes, e prevenir o burnout dos profissionais de saúde.

No sentido de melhor responder às necessidades de doentes e famílias, é ainda necessário conhecer os recursos já existentes, pelo que a apresentação da Equipa Comunitária de Suporte em Cuidados Paliativos da USISM e a Equipa de Apoio Psicossocial recentemente criadas se constituem como mais-valias. “Não menos importante, é preciso definir e aplicar instrumentos que permitam avaliar os processos e resultados dos cuidados prestados, numa perspetiva centrada na própria pessoa doente”, referiram os investigadores. A palestra proferida pela psicóloga e investigadora Bárbara Antunes versou esta temática, dando ainda enfase à centralidade da comunicação.

A sessão debate “Como promover a integração de cuidados paliativos e intensivos no HDES?”, moderada pela investigadora principal do projeto InPalIn, contou com o contributo de Tiago Lopes (diretor regional da Saúde), de Fernando Carneiro (diretor clínico do HDES), de Humberto Costa e Manuela Henriques (Unidade de Cuidados Intensivos do HDES), e de António Gonçalves e Maria do Rosário Vidal (Unidade de Cuidados Paliativos do HDES). Nesta sessão, ficaram definidas as primeiras medidas que concretizarão a implementação piloto dum modelo de integração de cuidados paliativos e intensivos. Estas medidas, acordadas publicamente por todos os interlocutores, passarão por (1) criar um Grupo de Trabalho, o UCI-PAL, (2) implementar um modelo misto de integração que passará pela formação sobre cuidados paliativos aos profissionais da unidade de cuidados intensivos e consultadoria, (3) definir critérios claros de referenciação e admissão a cuidados paliativos por ambas as equipas, e (4) decidir que dimensões de integração e medidas de resultados serão avaliados.

Ficam assim dados passos concretos e conjuntos para a implementação efetiva dum modelo de integração que torna os Açores como os pioneiros na fase de implementação alicerçada nos resultados do projeto InPalIn. A visão do Seminário InPalIn Açores, do Curso Intensivo de Ética em Fim de Vida, que o antecedeu, e do Curso Básico de Cuidados Paliativos, que o sucedeu, fica assim, pois, materializada neste compromisso conjunto de promover o alívio do sofrimento de doentes, familiares e profissionais, e melhorar o acesso a cuidados paliativos de qualidade como uma parte integral e integrada do Serviço Regional de Saúde dos Açores.

Fevereiro 2019