Mais de 70 profissionais de saúde recebem formação piloto sobre ética no fim de vida

Entre os dias 22 e 24 de janeiro, cerca de 70 profissionais de saúde receberam formação pioneira sobre ética no fim de vida. Numa iniciativa piloto promovida pelo Instituto de Bioética (IB) da Universidade Católica Portuguesa - Porto, em parceria com a Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada (HDES) e com a Equipa Comunitária de Suporte em Cuidados Paliativos da Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel (USISM), este curso visou contribuir para o desenvolvimento da recentemente criada Equipa de Apoio Psicossocial em cuidados paliativos do HDES.

Dada a pertinência do tema, a equipa coordenadora do mesmo, liderada pelos investigadores do Instituto de Bioética Sandra Martins Pereira e Pablo Hernández-Marrero, entendeu oportuno alargar a atividade a outros profissionais de saúde. Entre estes profissionais encontravam-se médicos das mais diversas especialidades (medicina interna, medicina geral e familiar, psiquiatria, entre outros), enfermeiros das mais diversas especialidades (médico-cirúrgica, saúde mental e psiquiátrica, reabilitação, entre outros), psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, farmacêuticos e voluntários, o que demonstra a relevância e interesse desta iniciativa. A equipa de formadores contou ainda com o contributo, presença e colaboração da médica intensivista de Carla Margarida Teixeira (Centro Hospitalar do Porto, Hospital de Santo António e ICBAS) e da psicóloga clínica Bárbara Antunes (CINTESIS, CEISUC e King’s College London).

O curso versou a problemática da necessidade de tomar decisões éticas complexas e difíceis na fase final de vida, da dignidade e bem-estar de pessoas em fim de vida e dos seus entes queridas, da justiça no acesso a cuidados de qualidade em fim de vida, e das inter-relações entre autonomia, vulnerabilidade e responsabilidade no acompanhamento e implementação do processo de cuidados em fim de vida.

Diversos estudos têm associado estas decisões com problemas como o burnout e sofrimento moral dos profissionais de saúde, sendo que muitos destes profissionais se sentem mal preparados para o processo de tomada de decisão ético-clínica em fim de vida. Foi em resposta a esta evidência internacional que se realizou o Curso Intensivo de Ética em Fim de Vida, procurando, desta forma, responder a uma necessidade efetiva de formação ética em temas complexos e com elevado impacto clínico, ético, organizacional, social, cultural e político.

Fevereiro 2018