Instituto de Bioética investiga a imagem que os jovens atribuem aos cuidados paliativos

Um estudo coordenado por Sandra Martins Pereira, Joana Araújo e Pablo Hernández-Marrero, investigadores do Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa, no Porto, revela o interesse dos adolescentes pelas questões éticas relacionadas com a eutanásia e o suicídio assistido.

 

Sandra Martins Pereira Joana Araújo Pablo Marrero

 

Que imagem e importância atribuem os jovens aos cuidados paliativos? Foi a esta questão que os investigadores quiseram responder com a realização de um programa formativo, dinamizado junto de um grupo de 69 participantes – 49 adolescentes, pais, catequistas e membros da comunidade – de uma paróquia da região Norte de Portugal. Os resultados demonstram que esta faixa etária revela especial interesse pela temática e desconstroem a ideia de que as camadas mais jovens não estão aptas para abordar um assunto tão sensível e complexo como é o caso dos cuidados paliativos.

A comprovar este cenário está, por exemplo, o facto de o grupo de participantes ter demonstrado interesse na discussão das questões éticas relacionadas com o tema, nomeadamente a eutanásia ou o suicídio assistido, e preocupação pela equidade (ou falta dela) no acesso a cuidados paliativos. Refira-se, ainda, que os adolescentes se mostraram mais predispostos a discutir as questões éticas relativas ao tema do que em apresentar uma posição clara em relação a este tema (contra/a favor).

Os resultados comprovam, igualmente, que o programa formativo contribuiu para a consciencialização do papel dos cuidados paliativos junto dos participantes que, ao concluírem a formação, revelaram ter uma mensagem positiva sobre este tipo de cuidado. Ao adquirirem um conhecimento mais alargado sobre a temática, a relação dos jovens com a morte e a perda tornou-se mais pacífica.

O estudo intitulado "Towards a public health approach for palliative care: an action-research study focused on engaging a local community and educating teenagers" demonstra a importância que a promoção da educação sobre cuidados paliativos e de fim de vida assume, devendo, por isso mesmo, ser uma aposta central nas comunidades locais, nomeadamente nas escolas primárias e secundárias. É importante destacar que este tipo de programas contribuirá para a construção de comunidades mais preparadas para lidar, não só com o envelhecimento, a morte e o luto, mas também, e sobretudo, para a promoção de melhoria da saúde e do bem-estar dos cidadãos em final de vida.

 

Instituto de Bioética aposta na formação bioética no ensino secundário e na investigação sobre cuidados paliativos e em fim de vida

A formação ética – inerente a todas as áreas do conhecimento – assume-se como uma tarefa da responsabilidade de toda e qualquer instituição ou comunidade educativa. Tendo em conta este pressuposto, o Instituto de Bioética da Católica no Porto lançou, em 2011, o projeto BEST, que tem como objetivo implementar a formação da Bioética no ensino secundário. “Políticas públicas de saúde”, “Início de vida” e “Fim de vida” são apenas alguns dos grandes temas abordados durante o programa que visa permitir a todos os intervenientes no sistema educativo o desenvolvimento de capacidades para uma reflexão ética fundamentada. Além deste enfoque na formação bioética, o Instituto de Bioética tem também focalizado a sua atenção na promoção e realização de investigação sobre cuidados paliativos e decisões éticas em fim de vida. Entre alguns dos projetos neste âmbito destacam-se os projetos InPalIn, EPASP e ENSURE

Julho 2018